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Na prática

Os 5 Princípios do Reiki de Mikao Usui: "só por hoje" na prática

Por Ana Cristina Costa · · 5 min de leitura

Os cinco princípios do Reiki, chamados Gokai em japonês, são as diretrizes de conduta que Mikao Usui deixou como base ética do método. Na formulação usada no Instituto, cada um começa com a mesma abertura: só por hoje, sou calmo; só por hoje, confio; só por hoje, sou grato; só por hoje, trabalho honestamente; só por hoje, sou bondoso. A expressão inicial não é enfeite, é o desenho do compromisso: reduz a promessa ao tamanho de um dia, que é o único tamanho de promessa que alguém consegue cumprir. Os princípios não são mandamentos nem exigem crença religiosa; são exercícios de atenção. Na prática do Reiki eles são recitados durante o Gassho, a meditação de mãos unidas, e retomados todos os dias ao longo dos vinte e um dias de purificação que seguem cada iniciação. É a parte do método que continua valendo mesmo para quem nunca colocou as mãos em ninguém.
Neste artigo

Antes de qualquer símbolo, antes de qualquer posição de mãos, a formação em Reiki começa por cinco frases. Elas cabem num cartão e levam a vida inteira.

De onde vêm os princípios?#

São atribuídos a Mikao Usui, criador do método, e em japonês são chamados de Gokai — literalmente, os cinco preceitos. Usui os apresentava como o núcleo do sistema, não como um acessório: a técnica sem eles seria só imposição de mãos.

Há registros de que Usui não os inventou do zero, e sim adaptou máximas já correntes na cultura japonesa da época. Isso não os enfraquece. Torna-os o que eles são: sabedoria comum, condensada num formato praticável.

Por que "só por hoje"?#

Essa é a parte que quase todo mundo lê rápido demais.

Um princípio que diga "seja calmo" é uma exigência sem fim, e exigências sem fim se abandonam na primeira falha. Um princípio que diga "só por hoje, seja calmo" cabe num dia — e um dia é um compromisso que se pode assumir de novo amanhã, inclusive depois de um dia ruim.

É um desenho de compromisso, não uma figura de linguagem. Ele remove a culpa acumulada e devolve a prática a cada manhã.

"Só por hoje, sou calmo"#

Na formulação original a frase costuma aparecer como "não se irrite". A versão afirmativa é mais útil, porque não descreve o que evitar e sim o que cultivar.

Calma aqui não é ausência de sentimento. É o intervalo entre o que acontece e a reação a isso — o segundo que separa o estímulo da resposta. O princípio pede que esse segundo exista.

Na prática: quando notar a irritação subindo, respire uma vez inteira antes de responder. Uma só. É o exercício completo.

"Só por hoje, confio"#

A formulação tradicional é "não se preocupe". Preocupação é a tentativa de controlar antecipadamente o que ainda não aconteceu — e o custo dela é o presente.

Confiar, neste contexto, não significa esperar que tudo dê certo. Significa parar de gastar hoje com o ensaio de um amanhã que talvez não venha do jeito ensaiado.

Na prática: quando notar o pensamento em loop, pergunte se há alguma ação possível agora. Se houver, faça. Se não houver, é preocupação — e ela não está trabalhando a seu favor.

"Só por hoje, sou grato"#

É o princípio mais fácil de recitar e o mais difícil de sustentar, porque gratidão automática vira frase de efeito rápido.

O que a prática pede é específico: reconhecer o que já está aqui, nomeadamente. Não "sou grato pela vida", e sim "sou grato por esta cadeira, por este café, por esta pessoa que me escutou ontem".

Na prática: três coisas concretas ao fim do dia. Concretas mesmo. Quem faz o Caderno dos 21 Dias já tem o lugar de escrevê-las.

"Só por hoje, trabalho honestamente"#

A tradução mais comum é "trabalhe com dedicação". Há duas leituras, e as duas valem.

A primeira é sobre esforço: fazer o que precisa ser feito sem terceirizar nem empurrar. A segunda é sobre integridade: fazer com que o que se mostra por fora corresponda ao que se é por dentro.

Para quem se forma reikiano, a segunda leitura tem um peso extra. A formação é explícita quanto aos limites do que se pode oferecer — e esse limite é, ele próprio, uma forma de trabalhar honestamente.

Na prática: uma coisa por vez, terminada antes da próxima.

"Só por hoje, sou bondoso"#

A formulação completa costuma ser "seja bondoso com todos os seres" — e o todos inclui você.

É comum encontrar pessoas generosíssimas com os outros e implacáveis consigo mesmas. O princípio não abre exceção para essa assimetria.

Na prática: repare em como você fala consigo quando erra. Se não diria aquilo a um amigo, não é bondade — é hábito.

Como praticar com o Gassho#

Os princípios não são um cartaz na parede. Na formação eles são recitados dentro de uma prática específica, o Gassho Meiso, a meditação de mãos unidas — um dos três pilares do Reiki, ao lado do Reiji Ho (percepção) e do Chiryo (o tratamento).

O formato é simples:

  1. Sente-se em posição confortável, coluna apoiada.
  2. Una as palmas diante do peito, na altura do coração.
  3. Respire de forma completa e sem pressa, algumas vezes.
  4. Leve a atenção ao ponto onde as mãos se tocam.
  5. Recite os cinco princípios, um por um, sem correr.

Cinco minutos bastam. A constância vale mais que a duração — é a mesma lógica do "só por hoje".

Por que isso é o coração do método#

Uma prática que trabalha com toque, com escuta e com estados emocionais de outra pessoa precisa de um chão ético antes de precisar de técnica. Os cinco princípios são esse chão.

Eles também são, na prática, a parte do Reiki que segue funcionando quando ninguém está olhando — e provavelmente a parte que mais muda a vida de quem se forma.

Fontes e referências

  • OMS (2007) recomendou o Reiki como modalidade de tratamento sem uso de medicamentos.
  • Portaria MS 971 (2006) instituiu o Reiki na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).
  • Portaria MS 145 (2017) o Reiki passou a ser oferecido no SUS.
  • CBO 3221-25 ocupação de terapeuta holístico reconhecida pelo Ministério do Trabalho.
  • CNAE 8690-9/01 atividade de práticas integrativas e complementares em saúde humana, que cita o Reiki nominalmente (CONCLA/IBGE).

O Reiki é uma Prática Integrativa e Complementar em Saúde reconhecida pelo Ministério da Saúde (PNPIC). Não substitui diagnóstico, tratamento ou acompanhamento médico ou psicológico.

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