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Fundamentos

O que é Reiki? A prática, a origem japonesa e o que o SUS reconhece

Por Ana Cristina Costa · · 6 min de leitura

Reiki é uma prática de imposição das mãos criada no Japão por Mikao Usui no início do século vinte. A palavra une Rei, energia universal, e Ki, energia vital individual. Numa sessão, o praticante posiciona as mãos sobre ou próximo ao corpo de quem recebe, que permanece vestido e deitado, sem massagem e sem manipulação. No Brasil, o Reiki integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares desde a Portaria MS 971 de 2006, e é oferecido no SUS desde a Portaria MS 145 de 2017. A formação é organizada em quatro etapas, cada uma com a sua iniciação e o seu símbolo. A palavra que define o alcance da prática está no nome da política que a reconhece: complementar. O Reiki acompanha o cuidado em saúde e não substitui diagnóstico nem tratamento.
Neste artigo

Se você chegou aqui por curiosidade, por indicação de alguém ou porque anda procurando um jeito de desacelerar, este texto foi escrito para ser o primeiro.

Ele reúne o essencial e aponta, em cada tema, para onde aprofundar.

O que significa a palavra Reiki?#

A palavra é japonesa e junta dois ideogramas:

  • Rei — a energia universal, o que é maior que o indivíduo
  • Ki — a energia vital individual, a que anima cada um

Juntos: energia vital universal. É o mesmo Ki que aparece em outras práticas japonesas, o mesmo Qi do chinês e o mesmo prana do sânscrito — palavras de tradições que descrevem o corpo em termos de fluxo e vitalidade.

Vale marcar o registro desde o início: esta é a premissa da tradição, e é assim que ela deve ser apresentada. Não é uma descrição de física, e um texto honesto sobre Reiki não a apresenta como se fosse.

Quem criou o Reiki?#

Mikao Usui e o Monte Kurama#

Mikao Usui (1865–1926) é o criador do método. A tradição situa a origem num retiro de meditação e jejum no Monte Kurama, perto de Quioto, onde ele teria recebido a compreensão do sistema que passou a ensinar em seguida.

O nascimento de Usui, 15 de agosto, é celebrado como Dia Internacional do Reiki.

Chujiro Hayashi#

Chujiro Hayashi, médico da marinha japonesa, foi um dos alunos de Usui e organizou a prática clínica: as posições de mãos e o formato de atendimento que se usa até hoje vêm em boa parte do trabalho dele.

Hawayo Takata e a chegada ao Ocidente#

Hawayo Takata, nascida no Havaí, tratou-se com Hayashi, formou-se e levou o Reiki às Américas. Foi por meio dela e dos mestres que ela formou que a prática se espalhou pelo Ocidente.

Essa cadeia de nomes não é anedota histórica: ela é a linhagem, e numa formação séria ela é entregue por escrito ao aluno, com o nome dele no fim.

Como funciona uma aplicação de Reiki?#

Na prática, é mais simples do que a maioria imagina. A pessoa se deita, vestida, numa maca ou colchonete. O praticante posiciona as mãos sobre ou logo acima do corpo, percorrendo uma sequência de posições, alguns minutos em cada.

Não há massagem, não há manipulação, não há óleo. Uma sessão dura cerca de uma hora e costuma começar com uma conversa breve.

Quem se forma aprende primeiro a autoaplicação — a aplicar em si mesmo. Atender outras pessoas vem depois.

O que são chakras e aura?#

Duas palavras que aparecem cedo em qualquer formação, e que valem ser explicadas sem mistificação.

Aura, na tradição, é o campo sutil que envolve o corpo e reflete estado emocional, mental e energético. A formação a descreve em sete camadas, do corpo físico ao mais sutil — um mapa conceitual, não uma anatomia.

Chakras vem do sânscrito e significa, literalmente, roda. São descritos como centros de energia distribuídos ao longo da coluna, cada um associado a uma cor, a um som e a um aspecto da vida:

Chakra Cor Aspecto associado
Coronário Violeta Consciência e sentido
Frontal Índigo Intuição e clareza
Laríngeo Azul Comunicação e expressão
Cardíaco Verde Afeto e compaixão
Plexo solar Amarelo Confiança e vontade
Sacral Laranja Criatividade e prazer
Básico Vermelho Segurança e estabilidade

Vale um esclarecimento que a comunicação sobre o tema costuma pular. Materiais de Reiki frequentemente associam cada chakra a uma lista de doenças. Este texto não faz isso, de propósito: associar centro energético a diagnóstico é sugerir avaliação clínica, e nem a prática nem quem a exerce têm essa competência. Os aspectos da tabela acima são de vida, não de patologia.

O que se faz além da aplicação de mãos?#

A formação do Nível 1 inclui algumas práticas que surpreendem quem imagina o Reiki apenas como uma sessão em maca:

  • Energização de água, alimentos e plantas — uma prática cotidiana, de poucos minutos.
  • Harmonização de ambientes — casa, quarto, espaço de trabalho.
  • Selamento dos chakras — uma rotina de fechamento, feita em pé.
  • Aplicação em animais — com uma ressalva que a própria formação faz questão de manter: harmonização nunca substitui acompanhamento veterinário.

E há os três pilares que organizam toda a prática: Gassho (a meditação de mãos unidas), Reiji Ho (a percepção que antecede o tratamento) e Chiryo (o tratamento em si).

Quais são as sete características do Reiki?#

A formação apresenta o método por sete atributos, e eles resumem bem o que a prática é:

  • Seguro — não causa dano
  • Inteligente — na tradição, a energia flui para onde é necessária
  • Natural — usa apenas as mãos
  • Sutil — sem pressão, sem manipulação
  • Vitalício — a canalização, uma vez aberta na iniciação, não expira
  • Complementar — pode ser combinado com outras práticas de cuidado
  • Universal — não conflita com nenhuma crença ou religião

O Reiki é reconhecido oficialmente no Brasil?#

Sim, e com número e data. O Reiki integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) desde a Portaria MS 971, de 2006, e é oferecido gratuitamente no SUS desde a Portaria MS 145, de 2017. Em 2007, a Organização Mundial da Saúde o recomendou entre as modalidades de tratamento sem uso de medicamentos.

A ocupação de terapeuta holístico consta na Classificação Brasileira de Ocupações sob o código 3221-25, do Ministério do Trabalho.

O que o Reiki não é#

Esta seção é tão importante quanto todas as anteriores.

  • Não é religião. Não tem divindade, culto, livro sagrado nem exigência de fé.
  • Não é tratamento médico. Não diagnostica, não prescreve e não substitui acompanhamento de saúde.
  • Não é massagem. Não há manipulação, e você permanece vestido.
  • Não promete cura. Nenhuma prática séria promete, e a formação proíbe explicitamente que se prometa.
  • Não é dom. É método, transmitido por iniciação, aprendido em curso.

A frase que a formação usa para fechar esse ponto é a melhor do acervo:

O reikiano não é anjo e nem tem superpoderes — é um canal.

Como começar a praticar Reiki?#

Pelo Nível 1, que não tem pré-requisito e é aberto a qualquer pessoa, inclusive quem nunca teve contato com nenhuma prática espiritual.

O que acontece a partir daí: um fim de semana de curso, a iniciação conduzida pelo mestre, e depois 21 dias de purificação com prática diária em casa. Você sai com apostila, certificado, a linhagem por escrito e um caderno para acompanhar as três semanas seguintes.

E, se a essa altura você ainda estiver decidindo, a pergunta útil não é "eu acredito nisso?". É outra: você tem vinte minutos por dia para dedicar a si mesmo?

Fontes e referências

  • OMS (2007) recomendou o Reiki como modalidade de tratamento sem uso de medicamentos.
  • Portaria MS 971 (2006) instituiu o Reiki na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).
  • Portaria MS 145 (2017) o Reiki passou a ser oferecido no SUS.
  • CBO 3221-25 ocupação de terapeuta holístico reconhecida pelo Ministério do Trabalho.
  • CNAE 8690-9/01 atividade de práticas integrativas e complementares em saúde humana, que cita o Reiki nominalmente (CONCLA/IBGE).

O Reiki é uma Prática Integrativa e Complementar em Saúde reconhecida pelo Ministério da Saúde (PNPIC). Não substitui diagnóstico, tratamento ou acompanhamento médico ou psicológico.

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