Os 21 dias de purificação depois da iniciação: o que esperar
Por Ana Cristina Costa · · 4 min de leitura
Neste artigo
O curso acaba no domingo à tarde. A formação, não.
O que vem depois — três semanas de prática diária — é a parte que menos aparece nas descrições de curso e a que mais determina o que fica.
Por que 21 dias?#
A tradição do Sistema Usui associa o número ao tempo que o processo de limpeza leva para percorrer os corpos sutis, e ele se repete depois de cada iniciação, em todos os níveis.
Há uma leitura mais prosaica que convive bem com essa: três semanas é aproximadamente o tempo que um hábito leva para deixar de exigir esforço consciente. Quem atravessa os 21 dias sai com uma rotina de autoaplicação instalada — e é isso que separa quem pratica Reiki de quem fez um curso de Reiki.
O que se pratica todos os dias?#
Três coisas, e nenhuma delas toma muito tempo:
- Autoaplicação — as posições de mãos aprendidas no curso, sobre o próprio corpo. É a prática central do período.
- Gassho Meiso — a meditação de mãos unidas, alguns minutos, com atenção na respiração.
- Os cinco princípios — recitados durante o Gassho, um por um, sem correr.
Vinte a trinta minutos por dia dão conta. O que a prática pede não é duração, é constância.
É normal se sentir pior nos primeiros dias?#
É comum, e a tradição tem uma explicação para isso: o que parece piora seria, na verdade, o processo de limpeza mobilizando padrões antigos — as vibrações positivas empurrando para fora o que estava acomodado.
Na prática, o que as pessoas relatam com mais frequência é cansaço fora do comum, sonhos vívidos ou muito nítidos, oscilação de humor, vontade de chorar sem motivo aparente, sede aumentada. Costuma passar em poucos dias.
Uma ressalva que não é opcional. A leitura acima é a da tradição, e vale para desconforto leve e passageiro. Sintoma físico que preocupe, que persista ou que piore é assunto de profissional de saúde, não de energia — procure atendimento. O Reiki é uma prática complementar e não avalia, não diagnostica e não trata condição nenhuma.
O que a tradição recomenda no período#
A formação sugere alguns cuidados de rotina durante as três semanas:
- Beber bastante água.
- Preferir refeições leves e frutas.
- Buscar contato com a natureza e ambientes calmos.
- Ouvir música de alta frequência, no vocabulário da apostila.
- Evitar carne vermelha, bebida alcoólica e atividade sexual.
Vale ser transparente sobre a natureza dessas recomendações: elas vêm da tradição do método e do contexto cultural em que ele nasceu. Não são orientação nutricional, não têm respaldo clínico e não devem ser tratadas como tal.
Se você faz acompanhamento de saúde, tem alguma condição, está grávida, em tratamento ou usa medicação de uso contínuo, converse com o seu profissional antes de mudar a alimentação ou a rotina. Nenhuma recomendação de tradição vale mais que essa conversa.
Vale dizer também que ninguém é reprovado por não seguir a lista. Ela é uma sugestão de leveza, não uma prova.
Como registrar o processo: o Caderno dos 21 Dias#
Quem faz o curso sai com um Caderno dos 21 Dias — um diário simples, com uma página por dia, para registrar três coisas: o que foi praticado, o estado emocional e algo pelo que se é grato.
Ele parece um detalhe e não é. Escrever transforma sensação vaga em observação, e no fim das três semanas o caderno mostra um percurso que, vivido dia a dia, passaria despercebido. É também o objeto que sustenta a prática nos dias em que a vontade não aparece.
E se eu perder um dia?#
Você continua no dia seguinte.
Não existe reinício, não existe punição e não existe "estragou". Essa é, aliás, exatamente a lógica dos cinco princípios: só por hoje. O compromisso é sempre com um dia, e um dia perdido não anula os anteriores.
O que não funciona é abandonar as três semanas inteiras porque a terça-feira não deu. Recomece na quarta.
O que fica depois#
Ao fim dos 21 dias, a maior parte das pessoas não descreve uma transformação espetacular. Descreve algo mais discreto e mais útil: dormir um pouco melhor, reagir com um segundo a mais de intervalo, ter encontrado vinte minutos por dia que são só seus.
É pouco para um folheto e é bastante para uma vida.
Fontes e referências
- OMS (2007) — recomendou o Reiki como modalidade de tratamento sem uso de medicamentos.
- Portaria MS 971 (2006) — instituiu o Reiki na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).
- Portaria MS 145 (2017) — o Reiki passou a ser oferecido no SUS.
- CBO 3221-25 — ocupação de terapeuta holístico reconhecida pelo Ministério do Trabalho.
- CNAE 8690-9/01 — atividade de práticas integrativas e complementares em saúde humana, que cita o Reiki nominalmente (CONCLA/IBGE).
O Reiki é uma Prática Integrativa e Complementar em Saúde reconhecida pelo Ministério da Saúde (PNPIC). Não substitui diagnóstico, tratamento ou acompanhamento médico ou psicológico.
Continue lendo
- A jornada
O que é a iniciação no Reiki — e por que ela não se aprende em vídeo
É o que separa o Reiki de qualquer outra imposição de mãos — e é também a razão pela qual não existe curso de Reiki gravado.
4 min de leitura
- Na prática
Os 5 Princípios do Reiki de Mikao Usui: "só por hoje" na prática
Cinco frases curtas que Mikao Usui deixou como o coração ético do método. A mais importante das cinco é, na verdade, as duas palavras que abrem todas elas.
5 min de leitura
- Fundamentos
O que é Reiki? A prática, a origem japonesa e o que o SUS reconhece
Um guia para quem está chegando agora: o que a palavra significa, de onde a prática veio, o que uma sessão é — e, com a mesma clareza, o que ela não é.
6 min de leitura