O que é a iniciação no Reiki — e por que ela não se aprende em vídeo
Por Murilo Arruda · · 4 min de leitura
Neste artigo
Existe uma pergunta prática por trás de quase toda dúvida sobre iniciação: eu não poderia simplesmente aprender isso sozinho?
A resposta é não, e o motivo não é comercial. É estrutural.
O que muda depois da iniciação?#
Na tradição do Sistema Usui, a iniciação é descrita como a abertura de um canal. Antes dela, o estudante conhece a teoria — a história, os chakras, as posições de mãos. Depois dela, ele canaliza.
O que a formação ensina sobre esse momento é bem específico:
- A partir da iniciação, o praticante se liga à energia vital universal, e não apenas à própria energia.
- Para acessá-la, basta colocar as mãos sobre si mesmo ou sobre outra pessoa e deixar fluir.
- A capacidade é vitalícia: não expira, não precisa de renovação e não se perde se você passar meses sem praticar.
- Cada nova iniciação, nos níveis seguintes, amplia consideravelmente a capacidade de canalizar.
É importante marcar o registro: isto é o que a tradição ensina sobre o processo, transmitido de mestre para aluno há um século. Não é uma afirmação sobre mecanismo fisiológico, e nenhuma formação honesta o apresenta assim.
Dá para aprender Reiki por vídeo ou apostila?#
Dá para aprender sobre Reiki. Toda a parte teórica está em livros, em apostilas e, hoje, em vídeo: a história de Usui, a estrutura dos chakras, o traçado dos símbolos, as posições de mãos.
O que não se transmite por gravação é a iniciação. Ela é um ritual presencial, conduzido por alguém que também foi iniciado, dentro de uma cadeia que não tem interrupção. Um vídeo pode mostrar como o ritual é feito — mas assistir a uma iniciação não inicia ninguém, do mesmo modo que assistir a um batizado não batiza.
Há aqui um conflito de interesse óbvio, e é justo declará-lo: quem escreve isto ensina Reiki presencialmente. Vale, então, olhar o argumento pelo avesso. Se a iniciação fosse dispensável, o Reiki seria apenas uma técnica de imposição de mãos como várias outras — e não haveria por que chamá-lo de Reiki. É a iniciação que define o que o método é.
O que é a linhagem, ou Árvore dos Mestres?#
Porque a transmissão é pessoal, ela deixa rastro. Esse rastro é a linhagem: a lista nominal de quem iniciou quem, de Mikao Usui até você.
A cadeia começa sempre igual:
- Mikao Usui — criador do método, Japão
- Chujiro Hayashi — médico da marinha japonesa, organizou a prática clínica
- Hawayo Takata — levou o Reiki às Américas
- e daí em diante, mestre a mestre, até a turma de hoje
Numa formação séria, essa árvore é entregue por escrito ao aluno, com os nomes completos, e o nome dele entra no fim dela. Não é enfeite: é o documento que torna a transmissão verificável.
Como verificar a linhagem de um mestre#
Vale perguntar, e um mestre que leve a formação a sério responde sem desconforto:
- Qual é a sua linhagem, por nome? A resposta deve ser uma lista, não uma vaga referência a "tradição japonesa".
- Quem o iniciou no Mestrado, e em que ano?
- A linhagem será entregue por escrito no fim do curso?
- Há apostila e certificado?
- A iniciação será presencial?
Se alguma dessas perguntas gerar evasiva, isso já é a informação que você procurava.
A canalização acaba se eu parar de praticar?#
Não. Segundo a tradição, a canalização é permanente — quem foi iniciado há dez anos e não praticou nesse período continua canalizando ao colocar as mãos.
O que se perde com o tempo não é a capacidade: é a familiaridade. A sensibilidade para perceber, a firmeza da rotina, a memória das posições. Isso volta com prática, e volta rápido.
Como é a iniciação nos nossos cursos#
A iniciação acontece dentro do curso, presencialmente, em um momento reservado do fim de semana. Não é cobrada à parte e não é opcional — é o curso.
O que vem depois dela é tão parte da formação quanto ela: os 21 dias de purificação, com autoaplicação diária e a prática dos cinco princípios. É nesse período que a iniciação se assenta, e é por isso que o aluno sai com um caderno próprio para acompanhá-lo.
Sobre o que a iniciação não é, a formação também é explícita. Ela não confere autoridade sobre ninguém, não faz de você um profissional de saúde e não autoriza prometer nada. Ela abre um canal — e o resto continua sendo trabalho.
Fontes e referências
- OMS (2007) — recomendou o Reiki como modalidade de tratamento sem uso de medicamentos.
- Portaria MS 971 (2006) — instituiu o Reiki na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).
- Portaria MS 145 (2017) — o Reiki passou a ser oferecido no SUS.
- CBO 3221-25 — ocupação de terapeuta holístico reconhecida pelo Ministério do Trabalho.
- CNAE 8690-9/01 — atividade de práticas integrativas e complementares em saúde humana, que cita o Reiki nominalmente (CONCLA/IBGE).
O Reiki é uma Prática Integrativa e Complementar em Saúde reconhecida pelo Ministério da Saúde (PNPIC). Não substitui diagnóstico, tratamento ou acompanhamento médico ou psicológico.
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